Depois de 46 anos bem vividos atuando na Estação Experimental de Itajaí (EEI), o técnico agrícola Pedro Paulo Fantini, 67, se prepara para dar início a mais um capítulo de sua vida. Quando as águas de março fecharem o verão, ele vai colocar em prática o plano de atuar como voluntário na APAE e na Associação Náutica de Itajaí (ANI), ONG que atende crianças da rede pública. Fantini também vai fazer aquilo que mais gosta, além de trabalhar na Epagri: velejar pelos mares do sul do mundo.

O técnico agrícola mostrou o trabalho de produção de mudas no Tecnohorti 2025 (Foto:Renata Rosa/Epagri)

“Eu sempre gostei do mar e de mexer com madeira. Quando pude, comprei uma lanchinha para pescar e em 2009, quando fiz o curso de construção naval na ANI, vendi a lancha e construí meu próprio barco”, relembra. Desde então, Fantini, como é conhecido pelos colegas, acumula mais de 50 medalhas e troféus em participações em regatas e torneios de vela. “A prioridade sempre foi a família, agora terei mais tempo de me dedicar ao que antes era um hobby e também orientar as novas gerações de velejadores na ANI, que faz um trabalho excepcional com as crianças”, revela.

Fantini começou a trabalhar na Epagri bem antes da criação da empresa, em 1979. Aos 21 anos, o egresso do Colégio Agrícola de Camboriú foi contratado pela Empresa Catarinense de Pesquisa Agropecuária (Empasc) para trabalhar no bairro Itaipava, onde hoje fica a EEI. Naquele tempo, o foco das pesquisas era o Sistema de Produção de Gado de Leite, hortaliças, mandioca e fruticultura. 

“Minha função, junto aos colaboradores do campo, era instalar, executar e avaliar os experimentos com os pesquisadores. Em 1986, começamos a fazer o plantio em estufas, chamado hoje de sistema de cultivo protegido, e também no sistema de cultivo hidropônico. 

A partir dos anos 2000, por causa da demanda por uma alimentação mais saudável, começaram as pesquisas de produção orgânica, que já deram origem à quatro cultivares, duas já lançadas (Alface Litorânea e Tomate Kaiçara) e duas prestes a serem lançadas (Alface Gisele e Rúcula Simone). “Eu me apaixonei pela olericultura porque é muito dinâmico, de ciclo curto, 60 a 100 dias, então, todo dia tem semeadura, colheita, avaliação; diferente do arroz ou do milho, por exemplo, que é semeado e colhido só uma vez ao ano”, explica.

Alegria na jornada

Prestes a se aposentar, Fantini sabe que sentirá falta da rotina e deixará muitas saudades com os parceiros de jornada. Ele conta que todos os dias vem trabalhar cantando porque encontrou na Epagri um local amistoso, cercado pela natureza, onde pode desempenhar sua função com bastante autonomia, o que requer, também, responsabilidade. De toda a sua trajetória dentro da empresa, o que ele vai levar para a vida é o trabalho em equipe.

“Aqui a gente faz questão de envolver todos para que o trabalho seja executado de forma harmônica, desde os agentes de campo até os pesquisadores. Todos os dias, às 9h e às 15h, a gente se reúne, toma café, conversa, dá risada e avalia o trabalho. Isso deixa o ambiente mais leve, facilita a comunicação para executar tarefas importantes para os experimentos que, dando certo ou errado, sempre nos traz mais conhecimento”, conclui.

Por: Renata Rosa, jornalista bolsista da Epagri/Fapesc

Fantini acompanhou processo de transição do Projeto Hortaliças na Epagri em Itajaí

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