No próximo dia 31, a gestora do Centro de Treinamento de Itajaí (Cetrei), Natália Knakiewicz Kominkiewicz, 61, se despede da Epagri após 39 anos de serviços prestados com competência e dedicação, na nobre missão de melhorar a vida das famílias rurais. As mesmas competências que serão úteis, a partir de agora, para atuar como psicóloga, realizando o sonho de exercer a profissão de formação, numa parceria com a nora, também psicóloga.

A trajetória de Natália começou nos tempos da Acaresc, quando extensionistas rurais visitavam a propriedade de seus pais, em Nova Erechim. Ela era adolescente quando aprendeu, junto com os pais, a destinar corretamente os resíduos animais, proteger fontes d’água e melhorar a alimentação da família, prolongando a validade de frutos da estação fazendo compotas e geleias. Foi a semente que germinou dentro da jovem, que percebeu a diferença daquele profissional na melhoria da qualidade de vida no campo.
Aos 14 anos, Natália entrou no Clube 4 S, que tinha como lema o símbolo de quatro folhas e como pilares o saber, o sentir, o servir e a saúde. Os encontros eram no salão paroquial da igreja, onde os jovens desenvolviam, em grupos, projetos de cultivo de um determinado produto. Numa propriedade parceira, eles aprendiam a adubar, fazer análise de solo para o plantio, combater pragas, etc. Lá, Natália ficou até os 21 anos, quando se formou no magistério e começou a dar aulas na cidade de Modelo. Mas não durou muito.
Motivada pelo extensionista rural Osvaldo Vieira, hoje assessor técnico da Secretaria de Agricultura e Pecuária, Natália se inscreveu no concurso da Acaresc, passou e se tornou extensionista social em 1986. Depois do treinamento na capital e estágio em Joaçaba, Natália foi lotada em Palma Sola, onde ficou um ano trabalhando com jovens rurais. No ano seguinte, foi transferida para São Lourenço do Oeste e, em 1990, para Xaxim, onde permaneceu por 16 anos, quando casou e se tornou mãe.
Em Xaxim, Natália trabalhou com famílias produtoras de carne e laticínios. Ela orientou as famílias de origem italiana, que produziam manteiga, nata, queijo colonial e ricota, a adotar boas práticas de fabricação. Nos anos 2000, com a preocupação ambiental no centro das atenções, a Epagri lançou os programas Microbacias 1 e 2, com foco na melhoria da água, destinação correta do esgoto e melhoria da renda do produtor com estímulo para participação em feiras, além de oferecer cursos de capacitação.
Também foi nesta época que Natália tomou coragem de prestar vestibular para psicologia na Unoesc. Mas, sem estudar, achou que nunca iria passar, até o esposo chegar em casa com o nome dela no jornal, prática comum nos jornais naqueles tempos pré-digitais. Natália conseguiu conciliar trabalho e estudo e se formou em 2006, aos 41 anos. A vinda para Itajaí aconteceria dois anos depois, quando conseguiu a transferência.
Mas a vida de Natália não cansava de lhe pregar peças, e em 2013, enquanto assistia ao Programa de Demissão Voluntária (PDV), no Cetrei, a gestora Salete Duarte lhe disse que ela ficaria em seu lugar, indicação que foi aceita no comitê UGT. “Eu achava que morreria extensionista, nunca me passou pela cabeça trabalhar na área administrativa, com tantas responsabilidades, com o apoio dos colegas eu encarei o desafio”, relembra.
Natália conta que Salete foi a pessoa que estruturou o Cetrei. Criou vários cursos de capacitação e chamava os colegas extensionistas para aprender novas habilidades e desenvolver conhecimentos. Dando continuidade ao seu trabalho, Natália participou ativamente da criação de programas de sucesso da Epagri em Itajaí, como o Jovens Rurais (2014), que trabalha a questão da sucessão familiar, e o curso de formação de empreendedorismo feminino no campo, o Flor-E-Ser (2017). Além de cursos em parceria com pesquisadores, como o de panificação nutracêutica e pratos à base de pitaya e arroz.
Para começar a nova empreitada, como psicóloga, Natália vai atuar como terapeuta na abordagem da Gestalt, ramo do saber que escolheu em sua pós-graduação. Além de ajudar as pessoas a se entenderem melhor, ela quer aproveitar o tempo extra para se dedicar à neta Ísis e atuar como voluntária em uma entidade beneficente. E quem sabe, finalmente, conhecer a pátria de seus antepassados poloneses.
Por Renata Rosa, jornalista bolsista da Epagri/Fapesc