Antes de qualquer orientação técnica chegar ao campo ou no mar, quase sempre há uma mulher acolhendo, escutando e organizando o primeiro atendimento dentro de um escritório da Epagri. Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, prestamos homenagem às epagrianas que atuam como auxiliares administrativas nos escritórios municipais.

São elas que recebem agricultores e pescadores, fazem a triagem das demandas, organizam agendas e dão o suporte essencial para que o trabalho de extensão rural e pesqueira aconteça todos os dias. As mulheres representam 80% das auxiliares administrativas da empresa, desempenhando um papel muitas vezes silencioso, mas indispensável.

Como uma forma de homenagear esse grupo, trazemos um pouco da história da auxilar administrativa Carmen Terezinha Werlang, de São Carlos, no Oeste Catarinense, que em 2026 completa 50 anos de empresa. Carmen ingressou na instituição ainda no tempo da Acaresc. Desde então, permanece na mesma unidade, no mesmo prédio. Sua história se confunde com a própria transformação da extensão rural, que este ano completa sete décadas em Santa Catarina.
Atendimento que constrói confiança
Carmen é natural de São Carlos e ingressou na Epagri com 18 anos. Segundo ela, no escritório apoiou mais de 30 extensionistas: rurais, sociais, de crédito, de juventude rural, dos projetos Microbacias I e II e do SC Rural. “Ela sempre deu apoio incondicional às equipes, mesmo diante de diferentes perfis, e tem uma capacidade incrível de adaptação”, conta sua colega de trabalho, a extensionista social Lilian Castelani.

Quem também reconhece o papel das auxiliares administrativas no cumprimento da missão da Epagri é o extensionista rural Paulo Cesar Menoncini, que permaneceu no escritório de São Carlos por 11 anos. Para ele, a extensão é feita de vínculo. “O primeiro contato, muitas vezes, acontece no balcão do escritório. Carmen conhece praticamente todos os agricultores do município. Já atendeu avós, pais, filhos e netos das mesmas famílias. Recebe produtores que vão buscar orientação técnica, resolver pendências, participar de projetos e também aqueles que apenas precisam conversar”. Ela confirma a afirmação de Menoncini: “Muitas vezes a gente acaba sendo psicóloga”, diz Carmen.

Para os dois extensionistas, o primeiro atendimento no escritório é decisivo. “Quando o agricultor é bem acolhido, o trabalho da extensão flui”, diz Lilian. A extensionista afirma que essa capacidade de comunicação, dedicação e assiduidade são as marcas de Carmen. “Sempre podemos contar com ela”, diz Lilian.
Testemunha das transformações sociais
Os 50 anos de Carmen na Epagri acompanharam a evolução tecnológica da extensão rural. Ela conta que iniciou na empresa no tempo da máquina de escrever, quando usava papel carbono para datilografar cinco vias de um documento. Carmen já passou pelo projetor de slides, álbum seriado, retroprojetor, fax, os primeiros computadores e o data show. De lá pra cá, os formulários impressos se transformaram em relatórios digitais e sistemas online; o telefone de ramal comunitário deu lugar ao celular e ao WhatsApp.

Cada nova tecnologia exigiu adaptação, especialmente em um tempo em que as capacitações para administrativos eram raras. Mas Carmen sempre procurou apreender coisas novas para executar seu trabalho. “Hoje tem mais burocracia, mas é mais fácil”, diz ela, com a experiência de quem viveu todas as fases.
Outro fato que Carmen faz questão de destacar é a inserção das mulheres rurais nas decisões da propriedade rural. Quando entrou na Epagri, o escritório era frequentado quase exclusivamente por agricultores homens. Ao longo dos anos, ela acompanhou de perto a mudança desse cenário: o fortalecimento dos clubes de mães, a inserção da presença feminina nas cooperativas e a ampliação da liderança das mulheres e o acesso a políticas públicas.

“Vi mulheres chegarem aqui sem CPF, usando o documento do marido”, relembra. Naquela época, elas não tinham representatividade em espaços públicos. Hoje, a realidade é diferente: as mulheres estão cada vez mais presentes e atuantes, assumindo papéis de liderança nas propriedades, nas cooperativas e nos sindicatos, tornando-se protagonistas no meio rural.
Carmem também vivenciou as transformações institucionais: iniciou na Acaresc, acompanhou a fusão que deu origem à Epagri, passou pela municipalização e apoiou programas estruturantes da agricultura catarinense. Ela está inscrita no Plano de Demissão Voluntária, mas ainda tem dúvidas se vai mesmo encerrar sua trajetória na Epagri este ano.

Ao homenagear Carmen neste Dia Internacional da Mulher, a Epagri reconhece a importância da área administrativa para os 70 anos da extensão rural. Porque a empresa acredita que a extensão não é construída apenas no campo, mas sim sustentada diariamente por profissionais que organizam, registram, acolhem e garantem que cada ação aconteça.
Por Isabela Schwengber
